Quero paz para fechar as janelas: chega de velhas cantigas.
Quero estar só e entregue ao vento, prostrada, nua e sedenta no coração da terra, esperando pela tempestade.
Faz tempo que suporto as lágrimas da solidão com sorrisos falsos e escandalosos. A música já alcançou alturas inconcebíveis, mergulhei em mórbido silêncio.
A sombra que dança diante de mim declara o tempo todo que nada há de novo entre a insensatez e a loucura.
Faz tempo que espero que essa seja a única verdade. E que aqueça o gelo, e que desfaça o frio da espada presente em cada gota, que agora cai, fazendo outra sombra, desta vez rubra, no chão.
O cheiro da terra é o meu, o cheiro que exalo é o cheiro que sou.
Nauseabundo ou não, coisas da pele tão negra que vai perdendo sua cor, por estar entregue a ninguém e a coisa alguma.
Por ter se vendido e ser capaz de amar e amar e amar...
Apenas o amor ardente que se consuma em sua mente.
Nada afinal. E mentiras demais.
Falsidade ideológica, mecanismos de defesa... Mas o suspiro é real e
Joga no ar perfume orgástico vindo de um grito confuso: é o prazer que não entendo, que parecem segundos de dor e convulsão, perpetuados nas pétalas ainda vivas da flor abatida pelo peso das lágrimas furiosas.
Castigo incompreendido que chove.
Sem tréguas.
